inês botelho 

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Jornal – "Jornal de Gaia"

Data – 24 de Novembro de 2005

Jornalista – Manuel Robles

Título da 1ª página – Jovem talento literário que vale a pena conhecer

Subtítulo da 1ª página – Inês Botelho começou a escrever, aos 15 anos, a trilogia O Ceptro de Aerzis

Título – Inês Botelho é uma jovem talento com 19 anos

Subtítulo – escreveu a trilogia O Ceptro de Aerzis, editado pela Gailivro

Introdução – Tem apenas 19 anos. Está no 2° ano do curso de Biologia da Faculdade de Ciências do Porto. É a autora da trilogia O Ceptro de Aerzis, cujo 3° volume – “A Rainha das Terras da Luz” – foi lançado há pouco mais de três meses. “A Filha dos Mundos” e “Senhora da Noite e das Brumas” foram os dois primeiros livros que escreveu desta trilogia que “nos transporta numa narrativa fascinante para um ambiente fantástico, exótico e até esotérico, em que o culto da palavra e do sonho imperam. Um jovem talento literário que vale a pena conhecer”.

Texto

É isso de algum o que nos propomos fazer. Falamos com ela, na sua residência, um dia destes à noite. Revela-se uma jovem com forte personalidade. Ideias bem vincadas. Objectivos precisos para a sua vida. Mas com a humildade suficiente para perceber que este 'seu mundo’ não é um ‘mar de rosas’. Tem amigos com quem convive naturalmente. Não abdica de um bom momento de descompressão. E é no Verão, durante as férias escolares, que mais trabalha (escreve). Mais lá para a frente percebemos porquê.

Inês Botelho tem uma história curiosa no começo desta caminhada pela literatura. Um começo “por acaso”, confessa. Embora desde pequena tenha demonstrado grande interesse pela escrita, o certo é que os erros ortográficos eram mais que muitos, muito por culpa de um método global que estava a dar os primeiros passos no Ensino Primário e que na altura gerou uma enorme confusão na mente de toda a gente, a começar pelos alunos. O incentivo à escrita para minimizar os ditos erros ortográficos foi o antídoto encontrado. Incentivo esse que transportou para o ensino preparatório e que a levou, inclusive, a escrever no jornal de parede do Colégio da Bonança, o “Ágora” através de críticas circunstanciais. Mas em matéria de escrever recorda que em pequena gostava de inventar histórias à volta de objectos. Descrevia-os e dava-lhes determinado sentido, por exemplo “como subir degraus… para a vida”.

Ultrapassada esta fase a confiança na escrita foi aumentando com a participação em concursos literários. Enquanto isso, bailava já na sua mente uma história linear, “bastante longa”, diz, que foi passando para o computador. Nesta altura tinha a Inês 15 anos. E o que escrevia ela? Uma história que se insere no âmbito da literatura do fantástico. É com esta mesma idade que publica aquele que viria a ser o 1º volume da trilogia O Ceptro de Aerzis – “A Filha dos Mundos”, graças às Edições Gailivro, a editora sedeada em Canelas que tem por principal objectivo “dar voz” aos jovens talentos.

“Quando recebi a notícia, dada pela minha mãe, que a Gailivro havia decidido publicar a minha história, confesso que não fiquei muito eufórica”, talvez por estar na altura embrenhada no meio de um projecto de teatro da escola. Naturalmente que fiquei satisfeita, mas não eufórica”, revela, para logo acrescentar que “entusiasmada fiquei, isso sim, quando pus um ponto final na história e quando tive o livro nas mãos. Aí acreditei que tudo era verdade, que alguém tinha acreditado no meu trabalho”, confessa.

Inês Botelho que tem ainda formação musical, curso completo de piano, após alguns anos de estudo numa outra instituição de Vila Nova de Gaia de inegáveis méritos – a Academia de Música de Vilar do Paraíso, tem, no entanto, uma particular forma de pensar as suas histórias. Diríamos que notável. Sobretudo pela força mental que desenvolve. È que ela, pasme-se (!), não rascunha a história. Passa-a directamente para o computador. Aponta apenas os nomes dos personagens, “por serem estranhos e provavelmente mais fáceis de esquecer”, sublinha. Depois é todo um trabalho mental notável. A história brota da sua mente para a máquina. E sabem quando? Apenas só nas férias escolares de Verão. È nessa altura que encontra “todo o tempo do mundo para escrever”. Escreve a partir das 10 horas da manhã e termina cerca das 23h30, naturalmente com pequenos intervalos para almoço e jantar.

Considera o seu estilo de literatura “bastante original” no mundo livreiro (“não soa a dejá vu”), por isso a “boa aceitação nacional” que livro teve (o Prof. Carlos Letra, proprietário da Gailivro, revelou, recentemente, que foram 6.500 os exemplares vendidos das histórias de Inês Botelho, números que considerou “extraordinários” para o meio literário português e tendo em conta que se trata de uma jovem com apenas 19 anos). Inês considera ainda que os seus livros não são de compreensão fácil. São os jovens já com alguma maturidade e os adultos o seu público-alvo. “Esta faixa já sabe ler nas entrelinhas, interpretar a história, muito baseada em rituais, na mitologia, na simbologia, em questões mais esotéricas”, sustenta. Não admite (não por presunção, apenas por uma questão de feitio… e de estilo) comparações com a escritora do famoso Harry Potter. “São temas completamente diferentes. Os públicos são também completamente diferentes”, ressalva.

Inês Botelho é uma jovem de Gaia. Com talento, um talento que o Dr. Paulo Alexandre Loução, que foi quem apresentou o 3º volume – A Rainha das Terras da Luz, descreve desta forma: “A trilogia O Ceptro de Aerzis de Inês Botelho constitui um fenómeno literário de rara beleza. Os vocábulos harmonizam-se numa fluidez integrada num ritmo musical que envolve o leitor sensível numa atmosfera de ternura, culto ao belo, à amizade, à espiritualidade da Natureza, ao imaginário profundo da alma. São os sonhos cristalinos de uma jovem expressos através da arte da escrita. A sua interioridade misteriosa, a sua solidão criativa, transformaram-se num laboratório alquímico onde a inspiração inicial foi tomando forma, ganhando vida, e se plasmou nesta trilogia de imaginário arquetípico”.

 

Olhar sereno, mas penetrante... como as suas histórias

A capacidade de 'armazenamento' mental de Inês é notável

Jornal – "Diário do Minho"

Data – 26 de Outubro de 2005

Colaboradora – Gisela Silva

Título – O Ceptro de Aerzis, de Inês Botelho – uma voz literária a distinguir

Texto

No passado dia 4 de Outubro, estive presente num dos lançamentos do terceiro livro da trilogia O Ceptro de Aerzis, de Inês Botelho e fiquei encantada com a jovem autora. O diálogo com Inês Botelho fluiu de forma agradável, de uma leveza, direi, de quem usa do dom da partilha. Fiquei presa à frase com a qual a autora concluiu a sua breve apresentação da trilogia, pois, em forma de apelo e com a dignidade de quem criou de forma artística e sabe já estar a separar-se da sua obra, Inês Botelho soube entregar o seu trabalho, afirmando que a sua obra, agora, já não lhe pertencia exclusivamente.

Compreende-se o tom saudosista da autora que, se por um lado, vê um sonho concretizado, por outro, sente um certo vazio pela entrega do seu produto final. «Não ficaram segredos. Entreguei-vos tudo.», referiu Inês Botelho. Devo dizer que fico feliz por tal ter acontecido pois narrativas tão belas como estas não devem ficar escondidas numa qualquer gaveta, reduzidas ao esquecimento.

O primeiro livro teve vendas consideráveis, na média de 7500 volumes vendidos desde a primeira edição, em 2003 (dados fornecidos pelo Departamento Comercial da Gailivro), o segundo não desmentiu o sucesso do seu antecessor e o terceiro, pelo que verifiquei no momento do lançamento do livro, não ficará em desvantagem.

A trilogia O Ceptro de Aerzis compõe-se de elfos, duendes, fadas, gnomos, sacerdotisas e outras criaturas do mundo mágico que se harmonizam no dever da partilha de ensinamentos e aprendizagens sobre a amizade, o amor, o culto do belo, o reencontro com as origens e a dedicação à Terra-Mater. A importância dos laços de consanguinidade entre três mulheres: Ailura, Galaduinne e Iruvienne, ao longo das diferentes gerações, bem como o respeito da autora pela cultura celta – que se faz sentir ao longo das três obras – provocam no leitor um sólido compromisso com toda a obra.  

É de facto verdade, e como afirma o filósofo/escritor Paulo Loução, no prefácio do terceiro volume, que Inês Botelho usa de um dom inato para criar. Contudo, a autora não nega, por exemplo, influências de Marion Zimmler Bradley, nem poderia fazê-lo, pois compreendemos que, dada a sua jovem idade e à sua já empreendedora produção literária, a autora esteve, desde cedo, em contacto com obras que lhe permitiram enriquecer as suas competências enciclopédica e literária, bem como conseguir a tão desejada cooperação interpretativa com os seus jovens leitores, criando verdadeiros momentos de literariedade e poeticidade com aqueles que refutam esquecer as antigas histórias de fadas que adormeceram, tranquilas, crianças do mundo inteiro.

A trilogia O Ceptro de Aerzis é, sem qualquer dúvida, mais uma apologia ao mítico-simbólico reavivado em obras para os mais jovens. Se a questão se baliza entre um desejo ainda pouco definido da diferença ou a vontade da descoberta, por parte dos mais jovens? Bem, não sei ao certo onde ficará o equilíbrio para uma resposta adequada. O certo, é constatar, como já o referi num outro texto a propósito do sucesso incontestável da série Harry Potter de J. K. Rowling, que os nossos jovens querem e sabem ler e não devemos, sobretudo afastá-los, por ignorância nossa, de leituras que consideramos marginais só porque nelas figuram elementos do fantástico, do maravilhoso ou temáticas ligadas ao imaginário. Mal de nós se acreditássemos que o texto literário é uma cópia do mundo empírico e histórico-factual, pois o princípio da pluri-isotopia ou da polissemia não poderia efectuar-se. Necessário é pois saber distinguir a qualidade dos textos e compreender a sua natureza estética para que o momento da fruição seja total.

Responsabilizar e consciencializar o leitor mais jovem é, também, uma tarefa que requer paciência e sapiência, pois o leitor-literário não se faz de um dia para o outro. Este deve, antes de tudo, ser um sujeito usuário de um vasto conjunto de narrativas, ouvidas ou lidas, que lhe permitirão abolir a imagem do texto enquanto uma unidade estanque e hermética. Desta forma, o texto será compreendido como um espaço de transgressão para que aconteçam verdadeiros momentos de literariedade, na realização do policódigo literário. Refiro assim uma visão singular, onde os momentos de estranhamento obrigam à reflexão e, consequentemente, à interacção.

Parece-me, pois, ser da competência da crítica literária, e mais uma vez referencio Paulo Loução, apadrinhar O Ceptro de Aerzis de Inês Botelho como uma obra literária que permite leituras plurais e convida à participação de um leitor enquanto sujeito cognoscente. É muito interessante constatar a patente evolução estética da autora, de livro para livro, o que é, por si só, uma referência de qualidade para a trilogia. Acrescentarei, ainda, que a obra com a qual fomos presenteados encerra o reencontro com matrizes de referência comuns e intertextuais às quais podemos acrescentar, enquanto leitores cooperantes, novas vozes, permitindo, assim, uma verdadeira leitura de promoção estética na divulgação do trajecto antropológico e hermenêutico-simbólico do imaginário, bem patente no fluir da pena de Inês Botelho.

 

 

Jornal – "O Primeiro de Janeiro"

Data – 25 de Outubro de 2005

Jornalista – Cátia Alves da Silva

Fotógrafo – Pedro Tavares

Título – No mundo do fantástico

Subtítulo – Inês Botelho apresentou o último livro da trilogia “O Ceptro de Aerzis”

Introdução  – “A Rainha das Terras da Luz” é o último volume da trilogia da jovem escritora Inês Botelho. Considerada pelos críticos como um valor seguro da literatura portuguesa, esta gaiense encanta milhares de leitores com a sua escrita fantástica, através de histórias mágicas.

Texto

Quando começou o gosto pela escrita?

Começou, a partir dos seis anos, mal comecei a escrever e a ler. Mas de uma forma consciente foi apenas aos 15 anos, quando escrevi o primeiro livro da trilogia “O Ceptro de Aerzis”. Aí apercebi-me de que gosto de imaginar histórias e resolvi passar à escrita.

A literatura e a escrita esti­veram sempre presentes na sua vida. O que é que escrevia na sua infância?

Escrevia tudo o que me apetecia, mas essencialmente sobre objectos. Houve uma altura em que me dediquei às histórias de aventuras e também aos diários, mas quando não gostava de uma coisa abando­nava-a de imediato. A última vez que tinha estado sentada em frente a um computador para escrever algo que não para a escola ti­nha 11 anos. Depois, só aos 15 comecei a escrever o primeiro livro da trilogia.

Apesar desta forte ligação à escrita, ingressou no ano passado no curso de Biologia, na Faculdade de Ciências do Porto…

Quando comecei a escrever a sé­rio nas férias do 10º ano para o 11º eu já frequentava a área científico-natural. A es­colha do curso foi feita por exclusão dos res­tantes.

Qual a ligação que os seus livros têm com a Biologia?

Têm uma relação indirecta. Como eu uso imagens de florestas, posso utilizar os conceitos de botânica. O mesmo se passa com a fisionomia dos animais. Mas não con­vém utilizar muitos termos técnicos, porque corro risco de a leitura se tornar difícil.

Literatura, música e teatro… A Inês sempre esteve ligada às artes. Consegue defi­nir uma que melhor a iden­tifique, ou é na junção de todas elas que se encontra?

Eu gosto muito de ser versátil em tudo na minha vida, mas a arte com que me identifico mais é representação, não exacta­mente o teatro mas sim o cinema, que é a minha grande paixão e é o sonho que me falta concretizar.

O que mais a seduz no ci­nema?

Gosto de tudo o que diz respeito ao cinema, mas o que realmente me seduz é a representação. Mesmo para construção das personagens este gosto que tenho ajuda-me, porque assim represento-as todas ao mesmo tempo. Tenho de as interiorizar, representar e mudar rapidamente de uma para a outra.

Gostava de ver os seus livros traduzidos para outras línguas?

Talvez, apesar de tudo era capaz de gostar. Mas sou muito perfeccionista, terá de estar a palavra certa no sítio certo. Teria de ler todo o livro e verificar se não tinham deturpado nenhuma ideia. Já na minha escrita sou assim e neste último livro senti mais isso.

Tinha 15 anos quando co­meçou a escrever a trilogia, agora tem 19. Sentiu algum desenvolvimento a nível de escrita do primeiro livro para este último?

Nota-se grande evolução de escri­ta logo do primeiro livro para o segundo, até para o leitor. Mesmo a nível de complexidade da história há um crescimento notório. Embora o primeiro livro também tenha um grande grau de complexidade. Do segundo para o terceiro nota-se um maior cuidado no que concerne à evolução do perfeccionismo da palavra e do tempo verbal. Neste último livro noto mesmo uma evolução do primei­ro capítulo para o último.

Mas os seus livros foram classificados como literatu­ra juvenil?

Pois, erradamente. A minha escrita é literatura fantástica. Aconteceu eu ter recebido cartas e e-mails de adolescentes de 13 anos a dizerem-me que adoraram o pri­meiro livro, mas não perceberam o segundo. Porque essa ideia da literatura juvenil foi erradamente divulgada.

Como surgiu a ideia de escrever uma trilogia? Já ti­nha toda a história na sua cabeça?

Comecei a escrever aos 15 anos, durante o período de férias grandes, que é quando me dedico à escrita porque tenho mais tempo. A ideia surgiu um dia de re­pente na cabeça. Fui-a desenvolvendo, ex­plorando e foi aparecendo a trilogia. Mas eu penso que a ideia apareceu porque eu tinha lido “O Senhor dos Anéis” aos 14 anos.

Terá tido alguma influência de JR Tolkien na sua escri­ta?

Eu costumo dizer que tenho in­fluência directa e consciente de Tolkien e intrínseca da  Marion Zimmer Bradley. Eu li esta autora era ainda muito nova, marcou-me e ficou dentro de mim, mas não de uma forma racionalizada. Considero que há mais influência dela do que de Tolkien. Após ter lido “O Senhor dos Anéis” “brin­quei” com as personagens deste livro durante dois meses e depois fartei-me passado algum tempo. Surgiu-me então a ideia de uma pessoa do nosso mundo pertencer àquele mundo dos Elfos mas sem ter consciência disso, tendo até uma certa descrença relativamente a essas coisas. Nasceu assim a história e a trilogia. Optei pela literatura fantástica porque é muito rica de imaginação e de criação, onde quase não há regras tudo é inventado.

Para quando um novo livro? Ainda no âmbito da literatura fantástica?

Quero experimentar vários géneros e quero que a escrita me continue a estimular. Para já há esboços de um livro de ficção, mas do nosso mundo, e muitas outras coisas. Embora não coloque de lado voltar à literatura fantástica. Tenho muitas linhas para escrever nos próximos anos, mas por enquanto vou parar um pouco para planear a minha vida, estudar e depois recomeçar a escrever.

 

 

Jornal – "O Comércio de Gaia"

Data – 6 de Outubro de 2005

Jornalista – Marcelo Paes

Título – O fim da trilogia

Subtítulo – Inês Botelho lança “A Rainha das Terras da Luz”

Texto

Depois dos dois livros que abriram a série, Inês Botelho fechou a trilogia. “A Rainha das Terras da Luz” é o nome da terceira obra da jovem escritora gaiense. Maria Fernanda, responsável da editora Gailivro, não poupa elogios à Inês Botelho, referindo-se a ela como “uma jovem de talento”.

A apresentação do livro foi feita no Auditório Municipal de Gaia, por Paulo Loução, autor da obra “Os Templários e a Demanda do Graal”, que ressaltou o valor de alguém “que começa a escrever aos 15 anos e conclui uma trilogia aos 18 anos”. O escritor diz que a nova geração de jovens escritores é “o início de um ciclo” e refere que “ler os livros da Inês descansa-nos”.

Por sua vez, Inês Botelho resumiu o seu percurso dos últimos três livros até o culminar da história. “Tudo teve um propósito. Tudo foi feito para chegar até aqui”, explicou a autora. Ciente que seus livros são cada vez menos juvenis, Inês Botelho diz que neste terceiro livro, soltou-se e “gostou do resultado”. Com uma proposta mais séria, mas nem por isso menos intrigante, “A Rainha das Terras da Luz” é um trabalho feito com grande pesquisa e determinação por alguém que ainda tem muito a dar à escrita. A própria autora promete continuar no mundo da literatura e termina em tom apaixonado. “Amo as palavras”, confessa.

 

 

Jornal – "Destak"

Data – 3 de Outubro de 2005

Jornalista – Cynthia Valente

Título – Inês Botelho

Subtítulo – ENTREVISTA. Depois de A Filha dos Mundos e A Senhora da Noite e das Brumas, Inês Botelho lançou o livro A Rainha das Terras da Luz, terceiro e último volume da trilogia O Ceptro de Aerzis. A escritora portuense tem apenas 19 anos e divide a paixão da escrita com a vida académica na Faculdade de Ciências da UP.

Destaque – «COMECEI POR BRINCADEIRA»

Já se sente escritora?

Sei que o sou na ascensão da palavra, mas o termo ainda me é estranho. Já me encontrei com alguns autores, mas quando o faço, fico mais a ouvir o que têm a dizer e praticamente não falo. Comecei por brincadeira e estive muito tempo à espera (4 meses) da resposta de uma editora.

Qual é a característica mais marcante dos seus livros?

São obras para quem gosta de literatura fantástica e são originais. Tem muitos pontos que jogam com a vida e encontram-se neles reflexões dissimuladas.

Texto

Como se deu a sua entrada no mundo da escrita?

Tinha uma ideia para uma história na cabeça. Fui incentivada na Escola Secundária pela minha professora de português. Passei os primeiros capítulos escritos em papel para computador, desenvolvi a ideia e quando dei por mim o livro tomou consistência.

Depois desta trilogia, qual é a história que se segue?

Estou já a pensar no próximo trabalho, dentro do género ficção. Encontro-me ainda na fase da investigação. Só começarei as escrever nas próximas férias grandes. Até lá vou dedicar-me ao curso.

Quando pára para escrever, quantas horas dedica à literatura?

Praticamente o dia inteiro. Começo às 9h30 da manhã, faço intervalo para almoço e umas pausas curtas o resto da tarde. Também escrevo à noite.

Os seus colegas de curso – biologia – fazem comentários sobre a sua vida de autora?

Eles acham giro, mandam piadas, incentivam-me bastante. Sinto que também estão contentes.

E os professores?

Esses não sabem. Não tenho à vontade para falar com eles sobre isto.

O Porto é um livro aberto?

Sim, bastante. Sempre senti o Porto como uma cidade aberta, embora com características medievais. É uma cidade atípica, de estudantes, romântica e inspiradora. É óptimo viver aqui e conviver com pessoas francas e abertas.

O Porto daria uma boa história para um livro?

Muitas histórias se poderiam contar do Porto. Trata-se de uma cidade eterna. Daria um bom livro.

Seria um policial, um romance ou outro género?

Por ser uma cidade granítica e romântica seria um bom romance ou um policial. Não há grandes ruas no Porto e existem muitas casas antigas.

Como está a Invicta em matéria de cultura?

Está muito melhor do que há uns anos atrás, mas as pessoas ainda não têm por hábito ir ver cultura. Em Lisboa as pessoas estão mais sensibilizadas. No Porto as pessoas não estão acostumadas a pagar para ver um evento cultural. Acho que se deve repensar a estratégia cultural na cidade.

Os portuenses já adquiriram hábitos de leitura?

Acho que sempre os tiveram, mas depende das zonas da cidade. Já se lê bastante, mas é preciso começar pela base, desde pequeno. Existe uma maior ligação com o cinema. Torna-se mais prático e implica um esforço menor.

O preço dos livros é um factor importante?

Para quem tem hábitos de leitura, o preço não é impeditivo. Para quem não os tem, sim. Mas tendo em conta o preço dos CD, os livros não são muito caros.

Onde procura inspiração?

Encontro-a em tudo, nos mais pequenos pormenores.

Como se conjuga a ciência e as letras, visto que está ligada às duas áreas?

Nos meus tempos livres dedico-me à escrita, é o que faço com paixão. A ciência está ligada à minha fase de estudo e de investigação.

A sua experiência de estudante de ciências é vantajosa na hora de construir uma história?

Quando escrevo sobre o imaginário, comportamentos de animais e suas características, é importante dominar bem o assunto. Não tem uma importância "directa", mas ajuda bastante.

Tem uma vida muito preenchida. Como gere o tempo livre?

Não tenho tanto tempo livre como os meus colegas, mas não deixo de sair com os meus amigos e de me divertir. Eles também me ajudam.

Quais são os locais do Porto com os quais sente uma ligação mais forte?

Toda a zona envolvente à Faculdade de Ciências, os Leões, o Campo Alegre e a Foz.

MÚSICA

Clássica, musicais. Gosto de Silence 4, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, e Dulce Pontes.

FILME

O Senhor dos Anéis e Chamada para a Morte. Gostei muito do Magnólia, é um filme estranho, mas que refere muitos pontos importantes da vida.

LIVRO

As Brumas de Avalon e As Horas.

MESA-DE-CABECEIRA

Tenho o comando da aparelhagem e o livro que estou a ler: 100 Poemas Escritos no Feminino.

ROTEIRO

Começaria por um passeio na Rua de Santa Catarina, parava no Majestic para tomar café. Passaria pelos Clérigos, Ribeira e Foz.

O PORTO É…

Uma paixão, a Invicta.

 

Imagem de 1ª página

Jornal – "Jornal de Notícias"

Data – 26 de Setembro de 2005

Jornalista – Natacha Palma

Fotógrafo – José Mota

Título – Jovem de 19 anos brilha com histórias fantásticas

Subtítulo – Lançamento

Introdução – “A rainha das Terras da Luz” é o título do último tomo da trilogia “O ceptro de Aerzis” que Inês Botelho iniciou com apenas 15 anos * O livro chega às livrarias no dia 1

Destaque – A primeira edição do último tomo de “O ceptro de Aerzis” traz de oferta um CD dos “Dazkarieh”

Texto

Inês Botelho, apenas com 19 anos, de Vila Nova de Gaia acaba de lançar o seu terceiro livro. “A rainha das Terras da Luz” é o último tomo da trilogia “O ceptro de Aerzis” a que a jovem escritora deu início quando tinha 15 anos.

Quatro anos passados, Inês Botelho é já uma das estrelas da nova vaga de escritores da literatura fantástica portuguesa, onde brilham nomes como Filipe Faria e Ricardo Pinto, ambos editados pela Presença, tendo este último granjeado notoriedade além fronteiras.

Inserida na colecção “Jovens talentos” da editora Gailivro – responsável também pela edição do fenómeno Christopher Paolini, o autor de “Eragon” e do recentemente lançado “Eldest” que figura já no topo de vendas em Portugal – a trilogia “O ceptro de Aerzis” chega, assim, ao fim.

Tudo começou em “A filha dos Mundos”, protagonizada por uma jornalista de sucesso que, depois de um violento acidente, é como que transportada para um mundo paralelo onde descobre que o pai era um elfo e que ela própria é fada.

De nome Ailura, a heroína cedo é obrigada a enfrentar a face do Mal, de nome Morgriff. Ailura, vence o primeiro embate, mas será a sua filha, Galaduinne, a figura principal do segundo livro, “A senhora da Noite e das Brumas”, a enfrentá-lo de novo. Depois de um confronto terrível, Galaduinne sai vitoriosa, não sem ver a sua cidade, Omnirion, praticamente destruída. De Morgriff restam apenas cinzas e trapos. Mas será que desapareceu realmente, deixando em paz as etéreas Terras da Luz?

A dúvida permanece no início do terceiro livro que estreará nas livrarias no próximo dia 1 de Outubro. Desta vez, o destino de Caladmiron estará nas mãos da nova Rainha das Terras da Luz, Iruvienne, filha de Galaduinne.

“O ceptro de Aerzis” conta, no fundo, as aventuras e desventuras de três mulheres inteligentes, corajosas e sobretudo amantes do belo e da Natureza.

A Natureza, no esplendor de todo o seu poder, é, aliás, uma personagem ao longo da história. A Natureza descrita por Inês Botelho tem alma, espíritos e pulsa em cada página dos três livros. É por ela, no fundo, que elfos, fadas, anões e gnomos lutam contra o Mal.

Num discurso que serpenteia momentos de inocente erotismo e de acção violenta, a trilogia fica decididamente marcada pelas descrições de um mundo muito parecido com aquilo que pensamos que poderá ser o Paraíso, onde a mais ínfima molécu1a de cada ser tem a importância de um universo inteiro. Agora que a história terminou, Inês Botelho sente já saudades das personagens que viu nascer. O final foi adiado até ao último momento, recorda. No entanto, nada ficou por contar. O livro foi fechado e agora já pensa no que vai seguir-se. “Já tenho algumas ideias, mas quero maturá-las durante um ano e só depois passá-las para o papel. Quero continuar a escrever ficção, mas sobre algo real. Devo voltar, um dia, ao fantástico, mas, para já, não”, explicou. O regresso vai ter, porém, de esperar, já que os calhamaços do segundo ano do curso de Biologia começam a chamar do alto da estante. Escrever, só nas próximas férias de Verão.

 

Inês Botelho diz querer voltar ao fantástico, mas, antes, vai procurar outros caminhos da ficção

Jornal – "Jornal de Letras"

Data – 13 de Setembro de 2005

Jornalista – Ricardo Duarte

Título – Inês Botelho – Histórias de mulheres

Introdução – Com A Rainha das Terras da Luz chega ao fim a trilogia O Ceptro de Aerzis e a saga de três gerações de mulheres que têm como missão anular o «terrível e maléfico» Morgriff, que pretende governar o mundo. É a estreia de Inês Botelho, 19 anos, na Literatura Fantástica

Texto

Ainda tentou adiar o último capítulo de A Rainha das Terras da Luz, encontrando mil e uma desculpas para o escrever mais tarde. Uma ida à livraria, um passeio em Vila Nova de Gaia, onde nasceu e vive, ou no Porto, onde estuda Biologia, na Faculdade de Ciências. Eram três anos da sua vida inteiramente dedicados à trilogia O Ceptro de Aerzis que se aproximavam do fim. E também do mundo que Inês Botelho criou de raiz e conhecia como ninguém. «Quando entreguei o terceiro livro à editora pensei: já nada disto é meu, já não há segredo nenhum», recorda, entre a melancolia e a felicidade. O lançamento será no dia 24 de Setembro, às 16 horas, no auditório Municipal de Gaia. E garante: «A conclusão da história vai surpreender muita gente».

A Literatura Fantástica esteve sempre presente na sua vida. Em criança, para ocupar o tempo, a mãe incutiu-lhe o prazer da leitura e certo dia, contava nove anos, desafiou-a a ler As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley. Foi uma revelação. «Mesmo sendo um livro muito forte para a idade que tinha, a minha mãe explicou-me o contexto, falando da época, daquela mitologia e mentalidade. Não me chocou nada, antes pelo contrário: foi uma leitura marcante», explica. Mais tarde veio O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien, na altura em que se anunciava a adaptação cinematográfica. Inês Botelho devorou-os, com vontade de os continuar: «Cheguei ao fim e não queria que aquilo acabasse. Continuei a imaginar, a imaginar, e a partir daí surgiu uma ideia geral que viria a dar o primeiro livro». Incentivada pelos pais e por um professor de português que ao longo do 10° ano lhe pediu várias críticas de cinema, Inês Botelho aproveitou as férias de Verão de 2001 para desenvolver a sua história. De início, pensava escrever um único volume, mas ao quarto capítulo delineou tudo e decidiu que seria uma trilogia.

A cultura Celta e os temas esotéricos são as áreas que mais lhe interessam e estão presentes em O Ceptro de Aerzis. Inês Botelho tem, de resto, uma abordagem muito livre da Literatura Fantástica, considerando-a «tudo aquilo que acontece fora do normal». Por isso, pegou em elementos presentes em livros desse género e de diversas religiões para criar o seu próprio universo. «Procuro fugir aos estereótipos, como por exemplo, o da imortalidade, que as pessoas pensam ser a melhor coisa do mundo. Ou a questão da amizade que não tem de se desenvolver amorosamente», afiança.

Uma cuidada simbologia

Além do mais, das leituras que já fez, Inês Botelho prefere livros fantásticos escritos por mulheres. «Os homens estão mais interessados nas guerras, na estratégia militar, nas intrigas. As mulheres, por seu turno, são mais sensoriais», defende. Os seus livros, editados pela Gailivro, A Filha dos Mundos (226 pp, 14,90 euros), A senhora da Noite e das Brumas (257 pp, 14,90 euros) e agora A Rainha das Terras da Luz (480 pp, 14,90 euros), são, por isso, três histórias de mulheres, três gerações que se vêm confrontadas com a ameaça do «terrível e maléfico» Morgriff, o último filho dos Elementos, que se apoderou do Ceptro de Aerzis, seu irmão, e pretende governar o mundo.

A ideia inicial era simples: «Alguém do nosso mundo pertencer a um outro mundo mágico sem ter consciência disso». Surgiu, então, Ailura que, dezassete anos após a morte do pai, altura em que lhe é dada a conhecer a sua verdadeira identidade, «torna-se Rainha das Terras da Luz».

A ela e à sua filha, Galaduinne, e, no terceiro livro, a uma familiar (que Inês Botelho não quer revelar para não estragar a surpresa), cabe a missão de restaurar a paz, recuperando o Ceptro, guardião dos poderes das Florestas da Luz e de Aerzis, morto por Morgriff na aurora dos tempos. Esta luta entre o bem e o mal, «o tema recorrente da Literatura Fantástica», desenvolve-se num mundo próprio, com uma geografia coerente, que tem em conta as distâncias que cada personagem percorre, e está envolto numa cuidada simbologia. «A história não é tão simples como à primeira vista pode parecer, todas as referências estão interligadas e são fundamentais, mas as pessoas tendem a passar por elas sem as ver», assevera.

Para o futuro, Inês Botelho já tem novos projectos. Pensa vir a frequentar um curso de Cinema e Teatro, em Londres, e continuar a escrever. «Sinto a necessidade da escrita, de criar histórias e depois desenvolvê-las. Adoro imaginar hipóteses e pormenores», afirma. Sem grande experiência na escrita, pois estes são os seus primeiros livros, tem vindo «a aprender com os erros». E se esta aventura não mudou a sua vida, mudou pelo menos a forma como vê a Literatura. «Já não consigo olhar para um livro da mesma maneira. Conheço os mecanismos, estou sempre a analisar», diz. E acrescenta: «Não deixa de ser interessante porque assim vejo as coisas que não estão chapadas, mas perdi a inocência da leitura».

 

Jornal – "Público"

Data – 2 de Janeiro de 2005

Jornalista – Rita Pimenta

Título – Magia e intemporalidade

Introdução – Dois autores de livros para crianças escolheram obras publicadas em 2004. António Torrado escreve há 35 anos, Luísa Fortes da Cunha há dois. O primeiro prefere clássicos, a segunda, universos paralelos. Seis títulos à procura de leitor.

Excerto

(uma das três escolhas de Luísa Fortes da Cunha)

A Senhora da Noite e das Brumas, O Ceptro de Aerzis 2

AUTOR Inês Botelho

EDITOR Gailivro

272 págs., €13,80

De novo a escolha de uma autora portuguesa jovem cuja narrativa “remete para ‘As Brumas de Avalon’, de Marion Zimmer Bradley”. A magia e as atmosferas misteriosas atraem definitivamente a autora de “A Fada Teodora”, que considera Inês Botelho “uma escritora promissora” (…)

 

 

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