inês botelho 

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Jornal – Suplemento "das Artes das Letras" de "O Primeiro de Janeiro" de 12 de Novembro de 2007 e dos "Notícias da Manhã" e "Diário XXI" de 13 de Novembro de 2007

Data – 12 e 13 de Novembro de 2007

Colaboradora – Gisela Silva *

Título – Inês Botelho: o imaginário-fantástico e o real emocional

Texto

Dotada de uma expressão literária capaz de surpreender os mais atentos, Inês Botelho é uma jovem escritora dotada de uma mensagem literária que se faz ouvir numa voz segura e de qualidade. Depois da belíssima trilogia O Ceptro de Aerzis (2003-2005), Prelúdio (2007) inaugura no património literário da autora um outro género alheio ao imaginário-fantástico.

Nesta história, intrincada entre fôlegos e sensações plurais, o tempo a vir e sem respostas é a mais dura certeza para os quatro protagonistas da história. Entretecendo as suas vivências com outras, os jovens citadinos Alice, Duarte, Lídia e Ada vivem o seu jogo processual de auto-crescimento num ambiente contemporâneo, onde as suas experiências, aparentemente vulgares relativamente às dos demais jovens, provam, contudo, o quanto o sentido da vida de cada um é peremptório na interacção das suas emoções. A história decorre em cadências quase sonoras, de onde sobressai a excelência da exemplaridade do Topos edificado à imagem do «In Illo Tempore» (Eliade, 2001:120-131), e deparamo-nos com a marca distintiva deste Eu colectivo que, em contínua aprendizagem, se ergue voluntarioso em descobertas e redescobertas constantes. Não é, contudo, desta obra recente, em lançamento nas demais livrarias, de que vos venho falar, embora me sinta tentada. É sim da já conhecida trilogia O Ceptro de Aerzis que eu muito desejaria saber presente nas várias bibliotecas das nossas escolas e/ou, se possível, numa das prateleiras lá de casa. A razão, bem simples, prende-se com o orgulho e o prazer de saber que esta é uma obra literária que faz ler, conseguindo, inclusive, provocar nos mais jovens, infalivelmente propensos a incontroláveis acessos de urticária logo que a palavra leitura é pronunciada, momentos de curiosidade que se vão transformando em outros de interesse que, muitas vezes, se transformam em maravilhosos momentos de vincado apego ao livro.

Bem sei que os tomos constantes da trilogia contabilizam, cada um, um número aproximado de 220 a 400 paginas e que parece utópico afirmar que estes jovens, cuja alergia ao livro é de facto preocupante, até lêem e fazem-no com prazer. Não me digam, por favor, que isto é um delírio pois o que vos digo é uma verdade constatada. Verdade, essa, que tem vindo a impor-se mesmo quando estes jovens se deparam com livros «grossos e pesados» (como eles dizem), mas que imediatamente se tornam leves quando a aventura da fruição e da descoberta toma conta deles. Não fosse o caso do já adorado e solicitado Último Grimm (2007) de Álvaro Magalhães, por exemplo, que é uma narrativa com o volume considerável de 300 páginas, mas que nem por isso os impede de devorá-la a olhos vistos. Fazendo minhas as palavras de uma jovem, de doze anos aproximadamente, com a qual me deparei às voltas com os muitos livros que lhe eram propostos nas demais prateleiras da loja onde nos encontrávamos, direi: «Estes livros parecem enfeitiçados. Quando começamos não nos apetece parar, não é?». Claro que a pergunta não ficou sem resposta e ambas, de cócoras em frente aos livros, continuámos a nossa conversa sobre Inês Botelho, Álvaro Magalhães e outros autores, a leitura, e os livros do programa de Língua Portuguesa.

Num outro texto, a propósito da conversa com a Matilde, e de muitas outras que tenho tido e mantido com os leitores mais jovens, abordarei a questão da literatura de massa ou as preferências literárias destes leitores afincados e que, muitas vezes, na escola encontram nos textos propostos um saldo muito pouco positivo na demanda de leituras plurissignificativas. Voltando ao objectivo deste texto, urge dizer que os títulos: A Filha dos Mundos (2003), A Senhora da Noite e das Brumas (2004) e A Rainha das Terras da Luz (2005) constituem um composto narrativo que propõe uma leitura reflexiva e lúdico-fruitiva, zelosamente engendrada numa teia de imagens míticas. A escolha prévia da palavra certa também é notória, e compreende-se o cuidado de uma definição estético-simbólica no que concerne, por um lado, o espaço mítico das «Terras da Luz», da «Floresta de Brumívium», ou ainda as terras secas de «Morniran», e, por outro, o tempo enquanto entidade geradora de imagens e de sentidos simbolólico-temáticos visíveis na intenção autoral de uma apologia à vida e ao harmonioso.

Elfos, duendes, fadas, gnomos, anões, sacerdotisas e outras criaturas do mundo mágico, que se harmonizam no dever da partilha de ensinamentos e aprendizagens sobre os mais nobres sentimentos humanos assolam a história contada. O culto da amizade, do amor, da bondade, do belo, do reencontro com as origens, da consanguinidade e da dedicação à Terra-Mater, obriga-nos à reflexão sobre a noção do homo symbolicus que, como se sabe, existe em cada um de nós mas é, muitas vezes, esquecido face a outras solicitações.

Cabe ainda dizer que, usando de uma especificidade imaginária, Inês Botelho cria com amor e dedicação os seus livros, o que lhe permite a tão desejada cooperação interpretativa com os seus jovens leitores. Brindando com verdadeiros momentos de literariedade e poeticidade todos aqueles que se negam a esquecer os contos de fadas ouvidos atentamente no aconchego dos braços, quando ainda mal se vislumbrava nos lábios sábios o beijo de boa noite, esta jovem compromete-se também, pela sapiência da sua escrita, a surpreender o leitor que usa todo o géneros de “loções e pomadas” cibernéticas para escapar aos indesejados ataques de comichões repentinas, provocados por uma qualquer sugestão de leitura.

Correcto será, então, afirmar que os livros, e incluo aqui o último, de Inês Botelho são uma resposta àquilo que tantas vezes solicitamos para que se realizem verdadeiros momentos de literariedade. Acrescentarei hoje, ainda mais convicta do que há tempos atrás, que a trilogia O Ceptro de Aerzis é, sem qualquer dúvida, uma verdadeira apologia ao mítico-simbólico reavivado em obras para os mais jovens.

Quanto à escolha relativa a este género da literatura por parte dos leitores, direi, como já o referi num outro texto a propósito do sucesso incontestável da saga Harry Potter (1999-2007) de J. K. Rowling, que os nossos jovens querem e sabem ler, e que não devemos, sobretudo, afastá-los, por ignorância nossa, de leituras que consideramos marginais, apontando como única razão o facto de elas se construírem com personagens, espaços e tempos do fantástico e do maravilhoso.

Vejo-me, aqui, obrigada a referir uma outra saga que também valoriza o fantástico-simbólico: Luz e Escuridão (2007- ), de Stephenie Meyer cujos tomos: Crepúsculo (2007), Lua Nova e Eclipse(1) têm vindo a causar um verdadeiro furor junto dos jovens. Tal prova, mais uma vez, o quanto os jovens leitores-intérpretes sabem que o texto literário nunca poderá ser uma cópia do mundo empírico e histórico-factual, nem tão-pouco ser considerado como uma unidade estanque e hermética. Este deve, sim, ser compreendido como um espaço de transgressão para que aconteça a verdadeira leitura.

A selecção de narrativas deste género por parte dos leitores mais jovens obriga-nos a elogiá-los pois, enquanto sujeitos de reflexão, estes sabem anexar às suas bibliotecas particulares livros que provocam uma outra visão mais abrangente, onde os momentos de estranhamento obrigam à reflexão e, consequentemente, à interacção. Concluirei asserindo ser da competência da crítica literária, e referencio Paulo Loução, “apadrinhar O Ceptro de Aerzis de Inês Botelho como uma obra literária” (2005). Este é, de facto, um compêndio cuja promoção do estético-literário se cumpre na divulgação do trajecto antropológico e hermenêutico-simbólico do Imaginário, onde o leitor, enquanto sujeito de conhecimentos, vem ao encontro da palavra mítica.

 

* LIBEC/CIFPEC IEC, Universidade do Minho.

 

Referência bibliográfica:

ELIADE, Mircea (2001). Le mythe de l´éternel retour. Paris: Gallimard., [1ª Edição: (1949)].

 

Inês Botelho

Gailivro Editores

Colecção Jovens Talentos e Colecção Enredos

 

1 . Os dois últimos livros ainda não se encontram publicados em Portugal

 

Gisela Silva

Jornal – "O Primeiro de Janeiro"

Data 11 de Novembro de 2007

Jornal – Suplemento "das Artes das Letras" de "O Primeiro de Janeiro" de 1 de Outubro de 2007 e dos "Notícias da Manhã" e "Diário XXI" de 2 de Outubro de 2007

Data – 1 e 2 de Outubro de 2007

Jornalista – Filipa Leal

Título – Um prenúncio de luz

Subtítulo – Aos 21 anos, Inês Botelho acaba de lançar o quarto livro: «Prelúdio» é o seu primeiro romance

Introdução – Nasceu em 1986 em Vila Nova de Gaia. Estudante de Biologia na Faculdade de Ciências do Porto, Inês Botelho começou a publicar a trilogia de literatura fantástica «O Ceptro de Aerzis» aos 17 anos. A colecção Jovens Talentos da Gailivro começou por acolher os seus três primeiros títulos: «A Filha dos Mundos» (2003), «A Senhora da Noite e das Brumas» (2004) e «A Rainha das Terras da Luz» (2005). Este mês, chega às livrarias o primeiro romance de Inês: «Prelúdio», publicado pela mesma editora, mas agora na colecção Enredos. A jovem cientista das letras adianta: “Esta é uma história de histórias. Um livro de silêncios”.

Texto


“Um prenúncio de luz. Pequeno, fragmentado, escapulindo-se por entre frinchas.”

(A primeira frase do romance.)


“«Prelúdio» era aquilo que eu queria escrever a seguir.”

(A primeira frase de Inês.)


Depois de um ano intensamente dedicado a Ada, Duarte, Alice e Lídia (personagens centrais desta história), aqui surge o resultado de um trabalho da imaginação: “É um trabalho de actor: gosto de me transformar nas personagens e saber como reagiriam. Eu não estou aqui, nem as pessoas que conheço”. O cinema, o teatro, a representação e a literatura são as grandes vocações de Inês Botelho. E o piano. E a Biologia. Definitivamente, a Biologia. “De resto, sou um desastre nas artes manuais, no desenho... Em tempos pensei em ir para o curso de História, mas nunca pus a hipótese de ir para Literatura”, recorda. Ora, se alguém disse um dia “Vou entrar para a Literatura como se entrasse para o convento”, talvez esse seja o caso da jovem escritora, a quem hoje não sobra muito tempo para estudar – com tantos encontros com os seus leitores em escolas e bibliotecas.

E o livro? E a literatura? Em «Prelúdio», a personagem central luta contra uma doença. A infância e a morte são, aliás, pontos cardeais nas histórias de Inês Botelho. No entanto, aos 21 anos, a escritora confessa: “Eu não tenho medo da morte. Há até um livro em que me debruço sobre o peso do que é ser-se imortal – imagino um povo imortal que só pede para morrer”. Nesta hipótese do cansaço da eternidade, acrescenta: “Se morresse agora, sei que tinha sido feliz, sem qualquer dúvida. Gosto do que já vivi”. Mas voltemos ao livro, “um livro de esperança”. Nele, revela, “o narrador é subjectivo e não está sempre do mesmo lado”. Ada narra a sua história na primeira pessoa, e depois temos Duarte (irmão mais velho), Lídia (a tia de ambos) e Alice (namorada de Duarte). A acção decorre durante um ano da vida destas personagens, e é sobretudo do cruzamento das suas histórias que se desenvolve: “Esta é uma história de histórias. É um livro de silêncios: não há espalhafatos, não há histerismos. É um livro mais contido”. Mais maduro, também, Inês? “Sim, mais maduro. Eu sou muito perfeccionista e por isso, quando termino é porque para mim está quase perfeito. Dois anos depois, quando volto a pegar-lhes, sei que há muita coisa que eu mudaria. Mas não vou mudar nada nos livros anteriores. Aos 15, 16 anos, não conseguia fazer melhor do que fiz”. Para Inês Botelho, os livros que publicou são, de certa forma, um espelho da sua evolução. “Sou bastante racional e científica. O que me interessa na Biologia é precisamente a evolução, e a genética”.

Assim, «Prelúdio» apresenta-se-nos como um livro mais intimista. “Aqui estão quatro personagens com máscaras criadas para cada uma destas vidas. Todas elas têm questões com que se vão deparando, e a cada uma delas eu dou a solução”, acrescenta. “Numa situação de tanta instabilidade, elas criam novas máscaras e novas posturas”.

Ritmo de linguagem,

ritmo de criação

“Gosto de coisas pausadas, de sensações, de imagens. Gosto de pensar. Julgo que em todos os livros há uma viagem, mas neste tive uma maior preocupação com a linguagem”. Em «Prelúdio», há um cuidado maior com a melodia e o ritmo da frase, com “a sensação que ela imprime”. “Gosto de escrever em todos os géneros, mas não acho que seja poeta. No entanto, há neste livro uma prosa poetizada. Mais jogo com a linguagem, menos medo de ousar. Usei a pontuação de forma a imprimir a cada frase o ritmo que eu queria que ela tivesse”.

Desde muito cedo que Inês se dedicava à literatura fantástica. “Tinha deste género um conhecimento empírico. Depois fui estudando, lendo muitos livros e alguns ensaios”, recorda. Aos nove anos, começou a interessar-se pela mitologia, pelo curioso lugar dos símbolos. “Acabei por, mais tarde, reinterpretar esses mitos nos meus livros. Os quatro elementos, por exemplo, atravessam a trilogia”. Neste campo das letras, tem como principais referências nomes como Marian Zimmer Bradley, J. R. R. Tolkien e Juliet Marilier, nunca esquecendo Edgar Allan Poe. “Mas leio de tudo! A minha mãe sempre leu muito e foi-me passando este vício. Gosto muito de Fernando Pessoa e de Natália Correia...” Neste momento, descobre a prosa de Ruben A.

De Agosto em Agosto, porque em tempo de aulas não tem tempo para escrever e investigar, Inês Botelho promete não abandonar os seus leitores. Como diria Duarte, a meio deste «Prelúdio»,

Porque sei que não é possível.

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Da apresentação

«Prelúdio», da editora Gailivro, foi apresentado pelo jornalista e escritor Sérgio Almeida, a 22 de Setembro, no Museu Soares dos Reis. No próximo dia 12, Inês Botelho estará na FNAC do NorteShopping, às 21h, ao lado do Professor Celso Gomes.

 

Inês Botelho: "gosto de coisas pausadas"

Maria Fernanda Tapada, da Gailivro, Inês Botelho e Sérgio Almeida

Jornal – "O Comércio de Gaia"

Data – 20 de Setembro de 2007

Jornalista –

Título – Gailivro lança “Prelúdio” de Inês Botelho

Texto

O Museu Soares dos Reis, no Porto, vai receber em primeira-mão, no próximo dia 22, pelas 17h00, o novo livro de Inês Botelho, lançado pela Gailivro.

Um livro perturbador em que os protagonistas, projectados contra a sua vontade no futuro, sustentam uma história em que a génese do ser humano e as barreiras do tempo são surpreendentemente questionadas.

“Prelúdio”, de Inês Botelho, com a chancela da Gailivro, é um romance que conta a história de quatro vidas, quatro caminhos…

Ada é movida por uma paixão pela vida, enquanto Duarte, Alice e Lídia se agarram às recordações do passado. No entanto, o tempo não para e força-os a uma viagem pelo futuro.

“Uma viagem por um universo no qual os protagonistas parecem fazer parte de uma peça de bailado que os lança num espaço onde as emoções e os sentimentos estão à flor da pele”, classificam os editores.

Depois do sucesso da trilogia d’O Ceptro de Aerzis, Inês Botelho vai editar com a Gailivro, que continua a apostar na literatura nacional, o “Prelúdio”, uma obra que se antevê ser mais um sucesso desta escritora portuguesa.

“As reflexões sobre a génese e evolução da condição humana e dos sentimentos mais perturbadores fazem desta obra uma confissão intimista e universal”, acrescentam os responsáveis pela publicação.

Inês Botelho lançou já no mercado literário a trilogia O Ceptro de Aerzis. “A Filha dos Mundos” chegou ao mercado em 2003, “A Senhora da Noite e das Brumas” em 2004 e “A Rainha da Terras da Luz” em 2005.

Dia 28 de Setembro “Prelúdio” será apresentado por Inês Botelho na Fnac do Gaiashopping, às 21:00, e dia 12 de Outubro na Fnac do Norteshopping, também às 21:00.

 

 

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