inês botelho 

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Revista – "Vida Saudável"

Data – Março de 2010

Jornalista –

Título – Figura de Vida Saudável: Inês Botelho

Destaques “Fico contente quando algum dos meus livros tem a capacidade de mostrar aos jovens o quão importante e maravilhosa é a literatura”

– “É difícil ser-se jovem em Portugal. De qualquer modo, não se pode cruzar os braços; deve insistir-se e persistir. Se decidirmos que nada pode ser feito, então nada acontecerá”

Introdução Licenciada em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, tem o 8º grau de Piano e Formação Musical e iniciou o ano passado um Mestrado em Estudos Anglo-Americanos. Entretanto publicou cinco obras, entre as quais uma trilogia. Tudo isto, aos 23 anos.

Inês Botelho é uma jovem autora portuguesa que promete novos voos para a literatura nacional com a sua escrita criativa e estilo versátil.

Inquieta, como todos os amantes das artes, a escritora esteve à conversa com a Vida Saudável a propósito do lançamento do seu último livro, O Passado que Seremos.

Texto

Com que idade começou a entregar-se à escrita?

A história para o primeiro livro começou a ser desenvolvida no início dos 15 anos e foi escrita entre o final dos 15 e o início dos 16.

As novas gerações lêem e escrevem cada vez menos, muitas vezes só o que a escola lhes pede. Quando está a escrever tem a preocupação de aproximar os mais jovens da escrita?

Não posso dizer que seja um objectivo. Quando escrevo, preocupo-me exclusivamente com o texto e a história; é a única forma que conheço de fazer um trabalho com qualidade. Só começo a pensar no público quando o livro já está pronto. Mas claro que fico contente quando algum dos livros tem a capacidade de mostrar aos jovens o quão importante e maravilhosa é a literatura.

A Inês costuma visitar escolas. Este contacto com jovens leitores é importante para si?

Em geral, gosto dos encontros em escolas. Quando bem preparados podem ser actividades muito interessantes e enérgicas. Além disso, através das perguntas que me fazem, acabo por ser obrigada a racionalizar certos processos de escrita que são algo inconscientes, e isso tem-se revelado uma mais-valia.

Na sinopse pode ler-se que este livro dá-nos o “retrato de uma geração”. Também tinha esse objectivo? Que geração é esta?

A geração das personagens é a minha geração e a verdade é que, ao início, isso não me agradou muito. Prefiro falar de assuntos que não estejam tão próximos da minha vivência diária. No entanto, a partir do momento em que cedi e aceitei o desafio, a questão da geração tornou-se uma componente relevante do livro, até enriquecedora. Hoje não o consigo imaginar sem esse aspecto. A Elisa e o Alexandre acabam por mostrar duas facetas do que a minha geração é ou pode ser, mas não funcionam como personagens-tipo. São eles próprios, tão contraditórios quanto qualquer pessoa.

Apesar de este livro falar de uma relação entre dois jovens, disse que estava pouco interessada em escrever um “livro amoroso”. O que pretendia quando começou a desenvolver este romance?

A ideia inicial era muito mais básica do que o livro final; limitava-se à história de uma relação, ainda que nunca tenha pretendido um enredo amoroso e cor-de-rosa. No entanto, enquanto preparava o livro, à medida que desenvolvia as personagens e aprendia a conhecê-las, a narrativa passou a centrar-se não na vivência conjunta de duas pessoas mas na sua existência individual. A partir desse momento, o desafio foi retratá-los como eles são, gostariam de ser e imaginam ser.

A história é contada na primeira pessoa pelas próprias personagens, alternadamente. Como foi o exercício de invadir a mente de um jovem  rapaz adolescente e escrever “no masculino”?

Sempre convivi tanto com raparigas como com rapazes, observo uns e outros. O resto é trabalho de ficcionista. Imaginar, extrapolar, explorar, extravasar são ferramentas importantes. De qualquer modo, já não penso nas personagens em termos de feminino e masculino, isso seria convidar um certo receio e abrir caminho para os estereótipos e um potencial bloqueio. Encaro as personagens como individualidades, pessoas que preciso de conhecer e compreender, e que, apesar de não desprovidas de género sexual, não estão acorrentadas a ele.

É quase como se fosse um trabalho de actriz. Encara-o desta forma?

Exactamente. Aliás, é essa a expressão que costumo utilizar para explicar o processo de me converter nas várias personagens.

Li que a Inês não gosta de fazer reflexões, mas de criar personagens. Porquê?

Quando disse isso referia-me especialmente a textos reflexivos sobre mim, ou seja, em transformar-me em personagem de um livro. Isso não me interessa; é um exercício muito pouco estimulante. Primeiro, seria rebolar à volta de alguém que já conheço demasiado bem; prefiro dedicar-me a outras personalidades. Por outro lado, o uso de personagens relativiza as verdades, previne potenciais dogmatismos e evita tons excessivamente moralistas. Uma personagem, como qualquer pessoa, pode estar completamente errada, mesmo quando acredita que tem razão. E essa ambivalência sempre me cativou.

Onde vai buscar inspiração para o seu imaginário?

Se há uma fonte, não a sei identificar. Suponho que venha um pouco de tudo: do que vivi, observei, li, inventei. Além disso, a imaginação pode ser um exercício como qualquer outro, melhorado pelo treino. Basta escolher algo e começar a modificá-lo, a transformá-lo, a aumentá-lo ou reduzi-lo, a acrescentar partes ou a suprimi-las, a transpô-lo para contextos díspares. As hipóteses são quase infinitas.

Que outros géneros literários gostaria de experimentar, depois do fantástico e do romance?

Qualquer um, desde que me pareça que pode originar um livro com qualidade. Os rótulos preocupam-me pouco; apenas me interessa que a ideia pareça estimulante e interessante.

Sendo tão jovem e mulifacetada, como se vê no futuro?

Não sei, mas espero que não estagnada numa rotinização contínua. Essa ideia assusta-me.

É difícil ser-se uma jovem autora em Portugal?

Apesar de uma ligação às artes e à cultura nunca ser pacífica, diria que essencialmente é difícil ser-se jovem em Portugal. De qualquer modo, não se pode cruzar os braços; deve insistir-se e persistir. Se decidirmos que nada pode ser feito, então nada acontecerá.

 

Revista – "Visão Júnior"

Data – Março de 2008

Jornalista – Joana Loureiro

Título – Histórias com livros

Texto

Quando outras crianças diziam que queriam ser cabeleireiras, Inês Botelho já dizia que queria ser escritora.

Aos 15 anos decidiu experimentar  e nasceram os livros A Filha dos Mundos (2002), A Senhora da Noite e das Brumas (2003) e A Rainha das Terras da Luz (2004). Contam a história de três gerações de mulheres, habitantes de um mundo estranho, com criaturas místicas. Muitas edições se sucederam. “Não pensei que os livros fossem ter esta aceitação”, diz Inês, que hoje já tem 21 anos e continua a publicar livros.

 

Revista – "Os meus livros"

Data – Novembro de 2007

Jornalista –

Secção – Nas livrarias / Títulos disponíveis e recomendáveis / Ficção

Título – Romance / Percursos

Texto

Iniciou a sua ainda curta carreira no âmbito da literatura de fantasia, mas, desta vez, Inês Botelho aventura-se num novo registo, construindo gradualmente uma voz própria no panorama português. A história assenta no confronto com o desconhecido, e na forma como ele é encarado. Ada, por um lado, é uma apaixonada pela vida; Duarte, Alice e Lídia estão presos ao passado. Num registo intimista e apelativo, a autora passeia-nos por um cenário repleto de emoções, interligando as histórias dos protagonistas, numa teia envolvente.

Prelúdio / Inês Botelho / Gailivro

 

Revista – "Forum Estudante"

Data – Janeiro de 2006

Jornalista – Laura Alves

Fotógrafo – Sérgio Madeira

Título – Inês Botelho a criativa

Subtítulo – Motivo de orgulho: publicou a trilogia “O Ceptro de Aerzis”, que começou a escrever aos 15 anos

Destaque – “Não tenciono de forma alguma deixar de escrever, porque é uma actividade que não impede qualquer outra.”

Texto

As férias de Verão deram-lhe tempo para começar a escrever. Aos 15 anos Inês Botelho começou a delinear os contornos de uma história fantástica, que viria a tornar-se uma trilogia – “O Ceptro de Aerzis”. Hoje, com 19 anos e a frequentar o segundo ano de Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, a jovem de Vila Nova de Gaia acaba de lançar a terceira e última parte da obra. Diz que nunca sentiu uma vontade de publicar um livro. Aconteceu, simplesmente. “Tinha a história na cabeça, resolvi começar a passá-la a papel, fui imaginando toda a trilogia e escrevi o primeiro livro. Não estava propriamente com uma ideia de publicação, escrevi a história para mim”, explica. Mais tarde, a professora de Português achou que valeria a pena tentar publicar. E assim foi. “A Filha dos Mundos” deu início à trilogia, que se insere na colecção “Jovens Talentos” da editora Gailivro. O segundo volume é “A Senhora da Noite e das Brumas” e o terceiro, publicado em Outubro do ano passado, é “A Rainha das Terras da Luz”.

A história dá conta das aventuras de três mulheres que vivem em mundos de elfos e de fadas. Mas Inês nega que a obra se assemelhe a outras do género como “Eldest” ou “Harry Potter”. “Prefiro explorar temas mais esotéricos e metafísicos, muito a nível das sensações”, descreve. Até porque tem curiosidade e procura conhecer bem temas como a mitologia e história de antigas civilizações. “Já lia alguma literatura fantástica e, com base em todos esses conhecimentos que tinha vindo a adquirir e outros que procurei, foi um pouco assim que a história surgiu.” Imaginou todos os pormenores que dão o colorido aos livros, como os elementos geográficos. Porém, aquilo que vê, as referências espaciais que memoriza e os locais que visita estão também presentes de alguma forma, ainda que transfigurados.

Inês gosta de escrever. De sentir as palavras e fazer uso da criatividade. “Não gosto de reflexões ou diários, porque não acho estimulante. Eu gosto é do exercício da imaginação e da criação, de estar a pensar em personagens e na história delas e não na minha. Posso escrever pequenos contos, mas não tenho a preocupação de fazer textos reflexivos sobre mim”.

Nunca ponderou ir para um curso de Letras. Apesar do gosto pela História, prefere as Ciências, pois aprecia observar a evolução e a diversidade do que nos rodeia. “Não tenciono, de forma alguma, deixar de escrever, porque é uma actividade que não impede qualquer outra”. Mas a Biologia, o curso que frequenta, é algo que a cativa bastante. Porém, outros interesses cruzam o caminho de Inês. “Também gosto muito de cinema, não sei se não tentarei enveredar por esse lado... Mas para já é na Biologia que estou.” Até porque o tempo livre, afirma, não é muito.

­Ainda assim, refere que desde sempre teve bastantes projectos paralelos, daí que se tenha habituado a encaixar tudo no horário. “À medida que os livros foram surgindo, as actividades relacionadas com eles roubam-me algum tempo. Mas vai-se conciliando: a faculdade, os livros e outras iniciativas que vá tendo. Neste momento tive de abandonar a música e estou a estudar Inglês.” Os planos profissionais passam por, eventualmente, sair do pais. “Hoje em dia está-se uns anos cá, uns anos fora, nunca se está só num sítio. Gosto do meu cantinho, mas o meu cantinho pode ser mudado de sítio com facilidade”, assegura. Quanto a “O Ceptro de Aerzis”, a história ficou fechada. Inês não voltará a aventurar-se naquele mundo fantástico com estas personagens. Tudo o que vier a seguir será noutro tempo, noutras esferas. Adianta que já há ideias na forja, porque não é pessoa para ficar parada. Mas não pensa demasiado no êxito dos projectos que pretende desenvolver. “De forma geral, acho que quando as pessoas se decidem a fazer uma coisa, fazem-na. E tudo o que fiz foi para mim, por estímulo ao meu intelecto, ou o que me apetecia fazer no momento”, assegura.

 

Revista – "Os meus livros"

Data – Maio de 2005

Jornalista – Inês Teixeira-Botelho

Título – Fadas à portuguesa

Texto

A nossa coluna – sim porque apesar de eu ter a sorte de ser a autora, espero que vocês a sintam também um bocadinho vossa – trata de livros para adolescentes, ora livros deste género, como já aqui salientei, interessam-nos quando nos estão próximos, quando aquilo que narram são aspectos da nossa vida real e imaginária. Quando o narrador poderia ser um de nós, jovens leitores.

Por tudo isto parece-me importante, que sempre que possível, aqui surjam obras não só feitas para nós como feitas por “nós”

“A Filha dos Mundos” é um dos livros da trilogia “O Ceptro de Aerzis” da autoria de Inês Botelho, uma autora de apenas dezoito anos – apesar de partilharmos o mesmo nome, a mesma idade e o mesmo gosto pela escrita nada mais temos em comum - que nos conta a história de Ailura, uma jovem adulta que viveu uma infância repleta de contos de fadas, gnomos e elfos mas que, com o crescimento, os apagou da sua cabeça.

No entanto Ailura, já mais velha, com uma carreira invejável e um futuro promissor, repleta de seriedade e de todas essas características naturais num adulto, sofre um acidente que a transporta para um mundo paralelo ao seu, onde volta a encontrar as personagens que lhe alegravam as historias de infância.

É neste mundo que encontra as explicações para as principais dúvidas que a assaltavam desde a morte de seu pai, Angus, e que percebe que a sua vida tem uma missão muito importante: Ailura é uma princesa e dela depende o futuro de um povo que a espera há longos anos.

É um livro mágico e fascinante, uma aventura fantástica escrita de uma maneira simples e cheia de imaginação, que nos começa a fascinar logo de início pelo excelente desenho da capa e que, sem darmos por isso, nos absorve rápida e surpreendentemente.

«Escrevi este livro para mim e para satisfazer a minha necessidade de aventura e emoção.» Palavras da autora que teima em prender-nos do primeiro ao último capítulo.

Este é mais um livro poro provar que o nacional também é bom, e que dentro deste género, não se salientam apenas colecções e trilogias como “Harry Potter” e “O Senhor dos Anéis” mas, também obras portuguesas que apesar de não terem a mesma máquina de marketing por trás, se valorizam muito por si mesmas.

Recomendo sinceramente, porque além de se estar a apoiar uma nova e jovem autora, se está a apoiar e a conhecer o que há de bom no nosso panorama nacional, já para não falar da imaginação vertiginosa com que nos vamos surpreendendo ao passar de cada página.

Eu falo por mim, apesar de ter aberto o livro relutante, fechei-o não só surpresa mas também com uma certa tristeza. Quero mais! Mais fadas, mais elfos, mais palácios encantados e mais mundos perfeitos!

Agora só me resta ler a continuação e esperar que a trilogia aumente...

 

 (* As escolhas desta coluna são feitas por Inês Teixeira-Botelho, que tem 19 anos. “A filha dos mundos” foi escrito por Inês Botelho e está editado em Portugal pela Gailivro... )

 

Revista – "Bebé d’hoje"

Data – Novembro de 2004

Jornalista – Patrícia Vieira Campos

Título – Entrevista – Inês Botelho

Subtítulo – Escritora

Texto

Aos 16 anos, escreveu “A Filha dos Mundos”, primeiro volume de uma trilogia que prossegue agora com “A Senhora da Noite e das Brumas”, histórias de um mundo fantástico onde os personagens buscam a verdade e a beleza. Na vida real, Inês Botelho tem os pés assentes na terra – é estudante do curso de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto –, mas continua, todos os dias, a sonhar.

Quais os seus sonhos?

O que realmente gosto e acho fascinante é a representação. O meu sonho é ter uma carreira no cinema. Durante muitos anos fiz teatro num dos clubes de Vila Nova de Gaia, onde moro.

Numa vida ideal eu serei bióloga, no ramo Investigação, escritora e actriz. Mas de todos os meus interesses, representar poderá ser o que menos depende de mim. Acho que a representação acontece num círculo muito fechado.

E na vida real?

Quero ser boa no que faço e ser conhecida por isso.

Vou segurar-me com uma licenciatura. Escolhi Biologia porque, de entre as Ciências, esta é a área que quero mesmo aprofundar. Quanto à escrita: quando as meninas queriam ser modelos eu queria ser escritora e escrevia diários. Aos 11 parei com isso e aos 12 ria-me de mim própria porque achava que não tinha jeito para escrever. No 10° ano comecei a escrever para um jornal da escola e em 2002 ganhei um prémio no concurso de literatura “Triângulo Jota”.

Onde se inspira a sua escrita? Leu Harry Potter?

Sou da primeira geração “maluca” do Harry Potter.

Mas isso foi há anos. Com 9 anos tinha já lido todos os livros da colecção dos “Cinco” e dos “Sete” da minha irmã mais velha. Quando o Senhor dos Anéis estava para estrear no cinema, como não vejo o filme sem ter lido o livro, li a obra do J. R. R. Tolkien. Esta foi sem dúvida uma inspiração.

Entre os portugueses, quais os seus escritores preferidos?

Rosa Lobato Faria e João Aguiar.

Como ocupa os tempos livres?

Tenho um grupo de amigos e vamos muito ao cinema. Gosto de dançar, mas não saio muito à noite. Danço em casa. No meu quarto há espaço para isso. Mas também toco piano. E já fiz danças de salão.

O que sugere aos mais jovens?

Que sigam sempre o coração e que acreditem.

Os sonhos acontecem, por muito estúpidos que pareçam.

 

 

 

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